Home Office: seus benefícios e desafios para colaboradores e empresas


Cada vez mais nos deparamos com notícias de pessoas que optaram por uma reviravolta em suas vidas através da possibilidade de trabalhar remotamente. Seja através do home Office ou do nomadismo digital, o fato é que tal regime vem se popularizando entre profissionais de diversas áreas de atuação.

Porém, para muitos, as dúvidas sobre a real produtividade e até mesmo sobre os benefícios destas novas modalidades, ainda geram inseguranças. Contudo, Marina Sell Brik, jornalista, especialista em home office e autora de mais de seis livros sobre o assunto e do portal GoHome (www.gohome.com.br), assegura que tanto empresas, quanto colaboradores podem sair ganhando ao optar pelo home office.

Qualidade de vida

Segundo Marina, para o cliente interno os benefícios estão muito ligados à melhora na qualidade de vida. “Com o home office o colaborador rende muito mais e não perde tanto tempo com deslocamentos, por exemplo. As horas que sobram no dia dele podem ser usadas para lazer, para fazer um esporte, para ficar com a família. Além disso, o ambiente do home office gera menos interrupções do que o ambiente de escritório, o que também ajuda na produtividade”. A jornalista ainda cita outros pontos positivos, como poder se alimentar em casa, ter suas coisas queridas por perto, até mesmo os pets. “Também há o fator econômico, já que o funcionário irá gastar menos com gasolina, estacionamento, roupas de trabalho, alimentação fora de casa, etc”, complementa a autora.

Quem pode confirmar tais benefícios do home office é Fernando Kanarski, Nômade Digital, que já rodou por 28 países e só em 2016 pisou nos cinco continentes enquanto trabalhava remotamente. Para Kanarski entre os principais ganhos estão a flexibilidade de lugar de trabalho e o próprio horário de trabalho em si. “O tempo de deslocamento para a empresa se tornou tempo a mais de sono ou para aproveitar melhor o café da manhã, por exemplo. Ou seja, você acorda, tem um tempo para você e aí pode começar a trabalho”, relata.

Ao aderir o home office, Fernando passou a ter maior controle sobre sua rotina e produtividade, pois tudo depende de como organizar e gerenciar a vida pessoal e profissional. “Acaba sendo uma liberdade extra na hora de gerenciar a vida. No meu caso, além de tudo, houve o benefício de juntar o trabalho com um grande hobby. Poder viajar para qualquer lugar do mundo. A regra é somente ter acesso à internet e tempo para trabalhar.”

Economia, produtividade e retenção de talentos

Já para as companhias, Marina defende que produtividade é um fator considerável, assim como a economia. “Uma vez como parte da equipe remota, é possível alugar um imóvel menor, por exemplo. Está provado também que a produtividade do colaborador no home office aumenta em mais de 20%”, informa Marina.

O home office também pode se tornar uma ferramenta estratégica para as companhias. Isso porque é um elemento importante para atração e retenção de talento, uma verdadeira vantagem competitiva. “A empresa também se diferencia, pois pode contar com mão de obra ultra especializada em qualquer lugar do mundo”.

Itens fundamentais

Engana-se quem pensa que, ao contrário do trabalho no escritório, as dificuldades não existem. Para Kanarski um dos maiores impasses é a organização. “É importante ter as tarefas tanto pessoais quanto profissionais bem definidas, caso contrário, o dia pode ser frustrante e nem produtivo para o lado pessoal quanto o profissional. Outra coisa é que home office depende de conectividade. Então, ter internet veloz e sempre disponível é muito importante”.

Contudo, um dos maiores problemas continua sendo a aceitação. “Muita gente ainda não acredita que alguém possa trabalhar remotamente ou de casa, então o trabalho é colocado em cheque o tempo todo e o profissional precisa provar que realmente está trabalhando e mostrar resultados”, afirma o nômade digital.

Autônomos x grandes empresas

Outra dúvida constante para muitas pessoas é saber se o home office funciona tão bem para empresas, quanto funciona para autônomos. Na opinião de Fernando, sim. “Empresas, como a mantenedora do Wordpress, fazem isso muito bem. Tanto que recentemente anunciaram que irão fechar seu escritório físico, pois ninguém aparece lá para trabalhar. Todos trabalham de cafés ou de casa”.

Como dicas para implementar o home office, o profissional cita que é importante testar muito, fazer pilotos de, por exemplo, “um dia de home office” e ter ferramenta de controle para que tanto os trabalhadores quanto os gestores possam ter bem claro quais as tarefas e entregas.Marina concorda com a opinião de Fernando. A especialista revela inclusive que muitas companhias que implantaram o home office de maneira bem-sucedida são cases de sucesso no livro “Trabalho Portátil” (escrito por Marina e André Brik). “Temos inclusive uma consultoria, o Instituto Trabalho Portátil (www.trabalhoportatil.com.br), que auxilia as empresas a implementarem o trabalho portátil em seu dia a dia”.

Implementação: popularização x legislação

Na opinião de Fernando a popularização do modelo de trabalho dependerá muito da legislação brasileira, que já aponta para uma maior flexibilidade quanto ao trabalho via home office. “Hoje em dia é muito arriscado para as empresas, por isso o modelo não é tão difundido. Com uma maior flexibilidade da legislação, seria uma questão de tempo este modelo se popularizar, principalmente em grandes cidades, em que o tempo de deslocamento para o trabalho às vezes representa 2 a 3 horas a mais todo dia”.

Ainda segundo o nômade digital, dados mostram que em 2015 já existiam 12 milhões de trabalhadores home office, sendo assim o crescimento é inevitável. “Embora seja um modelo que tem funcionado muito bem, principalmente em países com legislação mais flexível, o modelo é limitado a algumas áreas e talvez dependa mais dos profissionais do que da empresa”. Nem todo mundo consegue “trabalhar de casa” e se manter produtivo. Também há funções que exigem presença do profissional e contato com clientes ou o público final, neste caso, não tem muito como fugir do modelo tradicional de trabalho.

Marina informa que as áreas jurídica e tecnológica são duas frentes importantes para esta implementação. “É preciso também capacitar gestores e colaboradores para a nova dinâmica, assim como suas famílias. Não é complicado, mas existem alguns pontos sensíveis importantes a serem trabalhados. Não pode simplesmente ‘jogar’ o colaborador no home office e esperar que ele saiba como agir”.

O home office já deixou de ser uma tendência e hoje é uma necessidade, afirma Marina. “Trabalhar não apenas de casa, mas de qualquer lugar já é algo natural para os millenials, por exemplo. Pense na próxima geração: você acha que vai fazer sentido para ela ter que se deslocar até um lugar, com trânsito, stress, incômodo, perigos, só para realizar um trabalho que já está na palma da sua mão? Essa disruptura já está acontecendo e está trazendo inúmeros benefícios para todos, seja colaborador, empresa ou até para as cidades”. O home office, e mais além, o trabalho portátil, é a maneira mais inteligente de se produzir, trabalhar e viver com equilíbrio hoje em dia. Quem se adaptar antes a essa realidade, sairá na frente.

Gerenciamento de tarefas de tempo

Em relação ao gerenciamento e acompanhamento dos colaboradores que atuam como home office, Marina esclarece que os procedimentos dependem da atividade do indivíduo. “Se ele for um empreendedor, por exemplo, vai precisar de disciplina e profissionalismo para não misturar o trabalho com a vida pessoal e deixar alguma dessas áreas negligenciada. Se for um colaborador, ele precisa se familiarizar com a dinâmica do trabalho remoto praticada na empresa, assim como com a plataforma de acompanhamento. Cada empresa tem uma dinâmica e uma entrega diferente”.

Contudo, o importante é manter o foco, saber o que é esperado dele e entregar o que foi prometido no prazo combinado. É preciso maturidade profissional, confiança. “É como costumamos falar, o foco muda para a produtividade, não há mais fiscalização para saber como o trabalho foi feito e sim se ele foi feito e entregue com qualidade. Afinal, trabalho é algo que se faz e não um lugar para onde se vai” completa a jornalista.

Home Office é para todos?

No geral, todas as empresas podem praticar o home office, em maior ou menor escala. Parte-se do princípio que se você consegue trabalhar a partir do seu smartphone, pode fazer home office. Ele pode ser praticado uma vez por semana apenas ou em 100% da jornada. Isso irá depender da função e do objetivo. “Quem tem um trabalho mais intelectual, analítico ou que dependa 100% do computador, como TI, por exemplo, o home office é algo bem natural. Já quem precisa lidar com o público ou equipes e não pode se ausentar muito da empresa, tem que fazer com menor frequência”. Ela ainda cita que atualmente é muito comum terem equipes de vendas 100% remotas, sendo exigida a presença do funcionário apenas em reuniões a cada 15 dias ou em atualizações da empresa.

Na opinião de Fernando, para este tipo de trabalho, ainda existe no Brasil a parte da legislação que ainda é muito dura quanto ao trabalho remoto, então este tipo de trabalho ainda não pode ser aplicado a todo tipo de função. “Geralmente funciona melhor para terceirizados ou cargos de confiança como gestores, diretores e sócios”, comenta.

Dicas para produtividade

Como dica para os colaboradores que pretendem aderir ao home office, Kanarski pontua principalmente a disciplina e produtividade. “O trabalho home office, principalmente no Brasil, ainda está ligado a baixa produtividade, pois as pessoas acham que trabalhar de casa pode não ser produtivo. Então, ter ferramentas de controle, entregas bem definidas e reuniões presenciais ou virtuais podem ser muito importantes para que o home office dê certo”.

Outro ponto essencial é respeitar as individualidades. Enquanto algumas pessoas se sentem mais produtivas sozinhas ou em casa, outras podem precisar de gente, precisar falar, ter contato e ter uma rotina com outras pessoas. Então, é importante entender que o home office pode não funcionar para todos e que também pode ser uma questão de adaptação. “Algumas pessoas irão trabalhar melhor em casa, enquanto outras trabalharão melhor em cafés, outras serão mais produtivas tendo contato com outras pessoas em coworking e por último, algumas pessoas irão precisar do modelo atual das empresas, com equipes, horários, reuniões e gestores. Tudo é uma questão de adaptação individual, não existe um modelo correto”.

Confira abaixo algumas dicas complementares que podem aumentar sua produtividade e lhe auxiliar durante o home office:

-Inicie seu dia como se você fosse para o escritório: tome banho e tire o pijama;

-Defina bem o seu expediente de trabalho;

-Estabeleça pequenos intervalos para relaxar durante o seu período produtivo;

-Faça uma lista objetiva e realista de tarefas para o seu dia;

-Organize seu espaço de trabalho com uma estética agradável e escolha móveis ergonômicos e confortáveis;

-Crie um ambiente com as luzes natural e artificial.

Nomadismo digital

Prestes a atingir a marca de 500 mil quilômetros voados, Fernando há 2 anos largou seu cargo de sócio em uma agência para realizar o sonho de viajar ao redor do mundo. Enquanto isso trabalha como consultor e instrutor de Google Adwords e Analytics, além de prestar consultoria em Growth Hacking para startups, e-commerce e pequenas empresas, na maior parte do tempo, remotamente.

Kanarski afirma que o home office foi uma ferramenta que lhe mostrou a possibilidade de se tornar um nômade digital, uma espécie de "teste" ou fase de adaptação.

E você, o que acha de se tornar um home office?

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